No intervalo entre os shows, o público do Hanson demonstrava sua peculiar afeição pela banda espremendo-se na grade, mesmo que a casa ainda tivesse muito espaço na pista e nada estivesse acontecendo no palco. É de se admirar que um grupo que veio aqui pela última vez em 2000 e mal esteve na mídia nesse meio tempo ainda consiga suscitar tamanhas paixões – provavelmente muito se deve ao site oficial deles, que sempre se manteve atualizado e com espaço de fóruns para os fãs conversarem. Uma bela lição para as boybands (ops!), que geralmente têm uns sitezinhos que pelamordedeus...

Dá-lhe Ike
Começa o show do Hanson, e a gritaria é tão maciça que um fotógrafo ao meu lado comenta “meu Deus, só vi isso no show do Zezé Di Camargo e Luciano!” Os três estão em linha, quase perto da beirada do palco, Taylor num piano de cauda, Ike no violão e Zac numa bateria de poucos tambores com percussão acoplada. Provavelmente poderiam estar tocando até gaita de fole que as fãs não ligariam: eles são, ora bolas, popstars.

Zac, ou Zachary, enfim
Taylor, tido como o mais introvertido, está com sua camiseta justinha escrita “Are You Listening?” e tem aquele cabelo loiro de popstar (não tão cuidado como o de Alex Band, do The Calling, mas ainda assim); Ike, o mais velho, está de cabeça raspada e é evidentemente o de maior carisma no trato com a platéia; Zac, afamado nas internas como o mais mulherengo (apesar de ter anunciado no dia anterior que vai se casar, aproveitando pra zoar o irmão do meio dizendo que “não, ela não está grávida”), está mais gordinho do que se podia imaginar, mas não aparenta ter passado dos 15 anos. Na sua camiseta lê-se “Drummers do it with rithm” (“Bateristas fazem com ritmo”).
Eles começam tocando músicas do recém-lançado “Underneath”, e surpreendentemente (ou não, em se tratando de fãs de Hanson) todas já estão plenamente decoradas pela platéia. São baladas em sua grande maioria – aliás, na mesma proporção do disco, em que apenas quatro das treze músicas são mais animadinhas –, mas os gritos se mantêm histéricos a cada aceno, olhada, grito ou “oh, yeah” que os irmãos executam. Aliás, como cantam bem os mocinhos!

Taylor e o piano
Durante o show cada um tem um momento solo, quando os outros dois saem do palco. O primeiro é Zac, que deixa a bateria e executa a simpática faixa-bônus do último disco, “Lulla Belle”, com sua voz fina no piano. O segundo foi Taylor, mandando outra balada rasgada no piano, e Ike tocou acompanhado de um violão fantasma “Ain’t No Sunshine”, um semi-blues esquisito e interessante, no qual os irmãos vieram ajudar depois. Mas por essa altura do show, tirando talvez “Lost Without Each Other”, já estava começando a pesar a modorra de tantas baladas na seqüência, e o público só olhava, admirando. E veio o hit.

"MMMBop, bap ba duuu bop..."
Aquela maldita “Mmmbop”, preciso admitir, é uma música genial. Os versos, que um não-fã dificilmente vai lembrar, conduzem o ouvinte para um dos refrões mais grudentos dos anos noventa. Taylor, hoje casado e com um filho de dois anos, continua com a mesma voz, e seu “wooh yeah” continua tão irritante e cantarolável quanto antes. Desnecessário dizer, os gritos se multiplicam, estamos de novo num show de rock (rock sim, como não?)
Nisso vêm as mais animadas do disco, “Crazy Beautiful”, “Hey”, e a também ótima “This Time Around”. O show termina lá em cima. No bis, uma versão de “Rip It Up”, sucesso na voz de Elvis Presley nos anos 70, onde a banda puxa diversos tipos de palminhas da platéia. Tudo termina em gritos e agradecimentos, “you guys are crazy” e coisa e tal. Todos saem satisfeitos, afinal, queriam um show de popstars e tiveram. E o que é mais legal é que com músicas compostas pelos próprios ídolos, que conseguiram sobreviver a um hit mundial e manter seus fãs com suas composições. Afinal, lá no fundinho, isso tudo também tem a ver com a música, não é mesmo?